Tradução: Vlassis Rassias – Reivindicando a verdadeira identidade europeia

[O filósofo grego, líder do ΥΣΕΕ e um dos fundadores do Congresso Europeu das Religiões Étnicas (ECER), Vlassis Rassias faleceu ontem na Grécia. Um exemplo de uma vida dedicada a dignificação de seu ethnos no sentido mais espiritual possível, de um ativismo corajoso (diante do poder persistente e hostil da ortodoxia cristã na Grécia) e intelectualmente digno de seus compatriotas afamados no passado. Eis nossa singela homenagem ao trabalho exemplar deste hoplita intelectual de nossos tempos. Traduzimos a partir desta versão inglesa.]

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Discurso no Congresso Europeu de Religiões Étnicas no parlamento da Lituânia (Lietuvos Respublikos Selmas), em Vilnius, Lituânia em 9 de Julho de 2014.

A Europa é um continente que por séculos deu a luz a muitas culturas notáveis, tradições étnicas e civilizações, cujas características comuns eram a dignidade e auto-determinação da pessoa humana, a busca pela virtude e pela verdade, reverência pelo sagrado, respeito para com a Natureza, a afirmação longeva da dignidade pessoal e da estima que a acompanha, assim como o ideal de Liberdade.

Infelizmente, esta tapeçaria de diversas, ainda que similares e complementares culturas politeístas, tradições étnicas e civilizações, cessou de existir quando uma oriental, alógena, expansiva e intolerante religião se mudou forçadamente e demandou o desaparecimento total de tudo que o povo conhecia, considerava sagrado e preservava como valores sociais e espirituais. O que se seguiu a esta invasão sem precedentes à Europa é mais ou menos conhecido. Colapso cognitivo e cultural absoluto, barbaridade, monoteísmo, superstição, ódio por tudo que existia antes, autocracia política e uma insana, omninvasiva teocracia, declínio moral, nivelamento por baixo, genocídio e etnocídio, e claro, as chamas. Chamas que se espalharam e consumiram seres humanos sem sorte, obras de arte e da literatura, tudo que estava direta ou indiretamente envolvido na representação do velho mundo “pagão” que os novos governantes juraram exterminar.

A pior consequência de todas estas calamidades consiste na destruição do auto-consciência do ethnos politeísta da Europa e do gradual apagamento de sua memória étnica. Numerosas gerações de desafortunados passaram toda a vida sem nenhuma real noção de sua identidade, ou de quem seus ancestrais foram e de como eles se viam, incônscios da história da terra que ocuparam. Esqueceram mesmo o termo “pátria”, e por muitos séculos, o continente testemunhou seus filhos vivendo completamente alienados de sua alma, convencidos de terem sido “civilizados” pela espada sangrenta de Constantino, Carlos Merovíngio e qualquer outro trucidador monoteísta, louvando as trevas como luz. Foram longe ao ponto de exportar sua barbaridade e intolerância, primeiro sob a forma de cruzadas sangrentas para o Oriente e, depois, sob a forma de sangrentas “expedições” para, em seu próprio vocabulário, o “Novo Mundo”.

Lapsos da luz perdida dos temos Pré-Cristãos, voltaram a nossa amada Europa apenas nos últimos séculos, e somente por uma longa e dolorosa consequência de restaurações, revivais, revoluções, movimentos iluministas e, claro, pela gradual reaquisição das genuínas identidades abandonadas por parte de algumas vanguardas intelectuais de vários ethnoi Europeus. Desde o século XIX na cronologia da arrogante religião que ousou biseccionar a própria História humana, muitos na Europa estão cônscios de que não são uma massa humana amorfa e sem raízes sob a Cruz ou o Corão, mas que são descendentes de historicamente existentes, e muitas das vezes, gloriosos e avançados, ethnoi antigos.

Alguns destes europeus pensam, incluindo nós, ter desenvolvido um vislumbre mais profundo sobre o assunto. Todos os que percebem o fluir do tempo como circular e não linear, sabem bem que a História não possui um destino final mas simplesmente segue os padrões e tensões criadas dentro de si pelos sujeitos históricos em cada movimento singelo da roda da Eternidade. E também sabem que, muito certamente, para ganhar o título de “sujeito histórico”, precisam ser capazes de ter suas propostas e ideais vivas e atrativas sobre a mesa, a cada vez que a humanidade é chamada para escolher seu próximo curso no infinito fractal da História.

Para nós, cada simples atualidade é uma ligação. Cada momento revive o passado inteiro e comprime a dinâmica de todo o futuro. Vendo as coisas deste modo, nós, os representantes da nativas, étnicas, indígenas, antigas mas ainda vivas Tradições e Religiões da Europa, trabalhamos duro para mudar a situação de nossas identidades coletivas complementares, de um privilégio intelectual de uma vanguarda iluminada, para uma consciência orgulhosa e identificação de todos os Europeus, frente a este maravilhoso mosaico de culturas genuínas, tradições étnicas e civilizações de seus ancestrais. Nós reivindicamos a identidade Europeia. Nós reivindicamos nossos verdadeiros sistemas de valores e nossos verdadeiros modos. Nosso propósito é claro: restaurar as uma vez derrotadas mas nunca extintas, culturas de alegria, liberdade, politeísmo, dignidade, piedade e honestidade, e sendo eu um Helênico, me permitam adicionar, de racionalidade, humanismo, eunomia e poliarquia.

Que a Luz de Apollo brilhe sobre vós.
Muito obrigado pela vossa atenção.

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