Diga-me com quem andas – Redes de apoio ou de enfraquecimento

Algo de lamentável e talvez malicioso na mentalidade de nosso tempo é aquilo que chamo propaganda do enfraquecimento disfarçada de Redes de Apoio. Nós como seres sociais sempre precisamos e recorremos a redes de apoio como a família, a tribo, a religião ou os parceiros ideológicos. Mas hoje em dia estamos tão alienados do convívio social que até mesmo redes de apoio estão sendo capitalizadas e tornandas business, especialmente no meio virtual.

Carentes de relações sociais saudáveis, esquecidas de como elas são, e muitas vezes empenhadas em capitalizar tudo o que é virtual, muitas pessoas se aglomeram em torno de espaços virtuais no intuito de criar redes de apoio, mas acabam, contudo, criando ciladas para si mesmos e para os demais. Nesta crise identitária que vivemos no Ocidente a maioria das pessoas tem dificuldades em identificar as Redes de Apoio saudáveis, aquelas que de fato apoiam, das redes de enfraquecimento. Algumas destas chegam mesmo a ser usadas por grupos ou pessoas que de forma consciente querem explorar ou sabotar outros seres humanos, e instrumentalizá-los para angariar mais adeptos, com objetivo não só de lucro, mas algumas vezes também políticos.

É preciso ficar atento, e por isso proponho uma reflexão sobre as redes de apoio às quais você, leitor, está imerso e mostrar meios de avaliar se elas te fazem mais bem ou mal e se vale a pena permanecer ligado a elas.

As redes de apoio de hoje em dia costumam estar espalhadas em movimentos sociais, espiritualidades, centros religiosos e, mais recentemente em business virtuais como blogs vinculados a estilos de vida e ideologias, que usam para promover suas razões e vender seu produto. Até aí tudo bem, muitas delas podem mesmo ser centros de apoio, o que é preciso é saber diferenciar, e a armadilha está em disseminar conteúdo com alta carga de negatividade, levando seus seguidores a crerem que descobriram uma verdade e um grupo que os faz compreender o mundo atual e ajuda a sobreviver a todas as crises contemporâneas, quando na verdade só estão depositando nas pessoas uma carga de estresse extra e maus hábitos que as prendem em ciclos viciosos de estagnação em todos os aspectos da vida.

Muitas destas redes de apoio cilada vão te apresentar inimigos inalcançáveis, te fazer crer imerso em um sistema de opressão e exploração, e sempre, invariavelmente, é algo que você não pode transformar. São teorias da conspiração que te apontam como uma vítima de outro grupo, ou como algoz de outro grupo, imprimindo em você uma eterna fragilidade ou eterna culpa. Isso te leva a se martirizar e desperdiçar seu tempo e energia com padrões de pensamento e hábitos, na melhor das hipóteses improdutivos, mas com frequência danosos.

Para facilitar a compreensão pense nessas redes de apoio como egrégoras (e muitas delas geram mesmo suas egrégoras). Boas egrégoras são difíceis de entrar, elas demandam crescimento pessoal e desenvolvimento para que o indivíduo consiga se introduzir e adequar-se a ela, à energia agradável que delas emana. Egrégoras ruins são fáceis de entrar e difíceis de sair. Elas demandam que o indivíduo  gere energia para elas gastarem, elas te drenam e não acrescentam nada de útil. Você não produz nem recebe nada, você somente dá. Pode ser o seu tempo, o seu bem-estar, e em alguns casos até mesmo o seu dinheiro. Redes de Apoio, religiões ou movimentos sociais funcionam da mesma forma.

As que valem a pena integrar, as que são boas, que realmente servem para apoio mútuo dos seus participantes, uma vez que exigem aprimoramento para que se possa fazer parte, precisam de esforço, mas também oferecem uma recompensa. Esta recompensa é sempre elevação pessoal, melhoria e reconhecimento das aptidões e conhecimentos, assim como da auto-estima. E uma vez que o indivíduo se eleva ele reproduz o apoio disseminando a mesma positividade para outras pessoas.

Algumas perguntas ajudam a avaliar se os grupos aos quais está vinculado são boas redes de apoio. O grupo dá você e aos demais integrantes ferramentas de elevação pessoal? Ou o que ele chama de apoio é na verdade mostrar que conhece suas dores e fragilidades e aglomerar pessoas que vão mal para se lamentarem juntas?

Essas redes te incentivam a ser independente ou elas só te dizem no que você deve acreditar, revelando uma verdade de forma vertical?

Elas te oferecem ferramentas para que você possa produzir, edificar-se, ou elas te instrumentalizam para que você reproduza e dissemine o produto delas? Elas te levam a produzir algo para si próprio ou somente a colaborar com elas?

Uma forma fácil de distinguir a influência que ela exerce em você como indivíduo e na coletividade em torno dela é fazer um auto exame simples. Depois do contato, de ler, ver ou ouvir a rede, como você se sente e como correm as coisas durante o dia? Você se sente fortalecido, disposto, motivado, tranquilo? Ou você se sente ansioso, estressado, culpado e vulnerável? Você tem facilidade para lidar com as questões do dia, ocorrem realizações ou nada parece dar certo, sua rotina é penosa e você chega ao fim do dia drenado em suas forças?

Estas perguntas podem te ajudar a entender se as pessoas e ideias com quem se associa estão te apoiando ou te enredando no enfraquecimento e te fazendo afundar mais nas crises atuais, te alienando dos bons contatos que a vida pode ter e daquilo que realmente importa na existência do ser humano.

Por fim, é sempre bom desconfiar de duas coisas: extremismo e virtualidade. Note como o Estado Islâmico usou de redes sociais e de apoio para atrair uma juventude apática e em crise com a modernidade, e através de lavagem cerebral a transformou em assassinos covardes. Em nível menor, isto ocorre com muitos movimentos politicos e ideológicos, cuidado para não ser um peão de um deles.

Duvide mesmo, duvide de todo e qualquer extremismo, inclusive o alimentar. De tudo o que tenta te convencer de que costumes milenares estão errados e uma nova moda vai redimir toda a nossa espécie de milênios de erro. Se você não se sente bem, a razão pode estar fundamentada em mals hábitos e na perda das atividades sociais salutares, não numa pretensa culpa inerente a toda a espécie ou a toda uma raça. Cuidado com ideias que te levam a crer que pessoas de outra cor ou etnia criaram um complô contra você. Geralmente, são as pessoas seus próprios inimigos, lobos de si mesmo. As sociedades também se auto-sabotam, e, sem serem capazes de compreender o que há de errado consigo, criam inimigos imaginários ou alvos para dirigir suas frustrações.

Una-se ao grupo, sempre que possível, de forma física e não virtual, veja quem são as pessoas que pretendem te influenciar, se são, por sua vez verdadeiras com suas ideias, saudáveis e felizes.  Se são capazes de estabelecer relacionamentos palpáveis, e que impressão deixam na vida daqueles que as cercam. Elas criam mais alianças ou mais inimizades aonde passam? Pessoas incapazes de se relacionar de forma salutar costumam recorrer às redes virtuais, aonde suas fraquezas podem ser disfarçadas. Prefira sempre o olho no olho. Se uma briga não vale a pena ser levada às vias de fato, ela não vale a pena de ocorrer em esfera alguma, inclusive na esfera virtual.

Abstenha-se destes meios e destas companhias, una-se a pessoas mais colaborativas e realizadoras, e não a quem se fixa apenas na imaterialidade da internet ou na combatividade contra inimigos insubstanciais.

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