(05-12-2009) Câmara Cascudo?

Texto originalmente publicado no blog “Parahyba Pagã” em 05/12/2009. Mantivemos a redação original, caso hajam novos comentários estes aparecerão entre chaves [] no texto.

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Luís da Câmara Cascudo do estado irmão vizinho nosso ao norte, é um autor que os pagãos paraibanos e norte-riograndenses devem ler. E não só ler, mas aproveitar.

Em termos políticos, foi um homem monarquista (posição relativamente “tradicional” no sertão nordestino), depois integralista, posições que se explicam em sua oposição ao marxismo [no contexto geral da época]. Particularmente, considero este um dos grandes problemas dele: era “brasileiro” demais [no sentido Integralista de quem busca diminuir as diferenças regionais]. O sentimento de “integridade” nacional fica bastante abalado e evidente em um texto como ‘Vaqueiros e Cantadores’ (que diga-se de passagem, simplesmente muito bom) e ele parece forçar a barra quando em um texto como ‘Contos tradicionais do Brasil’ se refira à ‘do Brasil’. Qualquer um que foliar as páginas percebe que quase todos os contos são da Paraíba e principalmente do Rio Grande do Norte. Não há nem meia dúzia de contos do sul. Daí que dizer “do Brasil”, ao invés de “do Nordeste brasileiro” se explica por outros meios que não pelo conteúdo do texto em si.

Voltando aos textos, me aterei ao acima citado: ‘Contos Tradicionais do Brasil’. Alguns contos como ‘Os compadres corcundas’, ‘A princesa de Bambuluá’ e a ‘Princesa e o Gigante’, assim como grande parte dos Contos de Encantamento, ecoam as narrativas medievais a la Mabinogion. Claro, mas destituídos das caracterizações mitológicas mais abrangentes que as tornam parte de um sistema. Em todo caso, grande parte dos contos são incrivelmente pagãos e muitos são facilmente “isoláveis” do cristianismo medieval incrustado. Há presença de encontros com o ‘povo das fadas’ análogos com vários contos das narrativas célticas insulares, por exemplo; as circunstâncias e consequências são simplesmente inspiradores.

Penso que ‘repaganizar’ tais contos para utilizá-los como são tradicionalmente utilizados, na formação de nossos filhos, é algo de extrema valia. É harmonizar o Regionalismo com a Tradição pagã ancestral. É um projeto longo, e não penso que seja necessário escrever volumes densos para justificar tal manobra em termos teóricos e inatacáveis. Apenas gostaria de chamar atenção do povo politeísta da Paraíba e de nossos irmãos do RN para a rica tradição recolhida pelo Sr. Câmara Cascudo.

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