(28-06-2010) Um argumento contra o Monoteísmo

Texto originalmente publicado no blog “Parahyba Pagã” em 28/06/2010. Mantivemos a redação original, caso hajam novos comentários estes aparecerão entre chaves [] no texto.

Serra do Larouco

Prelóquio

O que se segue abaixo são alguns esboços de argumentos que espero desenvolver mais solidamente ao longo dos dias que tiver. Obviamente alguns deles modificar-se-ão, outros talvez até desapareçam para que surjam novos. Relutei durante bom tempo em expô-los publicamente, tanto por desconfiar de certa vagueza filosófica de modo a expor-me ao ridículo quanto por acreditar que argumentos racionais são simples adornos dispensáveis à religião [fideísmo!]. No entanto, alguns fatores me levaram a escrever. O primeiro deles, foi a Tradição. De fato, foram os “pagãos” do mundo greco-romano antigo quem primeiro iniciaram este tipo de coisa. No geral, por intuírem que o costume e fé pessoal por si só eram bases epistemologicamente frágeis para a religião. O segundo, que a tradição cristã apoderou-se de tal modo deste tipo de especulação que qualquer um que pense em levar algo disto a sério, seja qual for o motivo, não escapa tão fácil de um certo “cristocentrismo”, e buscar retomar e distanciar-se desta associação é necessário. O terceiro, que mesmo estando convicto que a melhor posição para as crenças religiosas é o fideísmo, nada me impediria de exercitar a razão livremente acerca disto [hoje, já não me vejo assim tão fideísta e considero que esta posição, termina por induzir certo Relativismo doxástico problemático metafisicamente].

E sobre o que são tais argumentos? Sobre ser o politeísmo mais aceitável racionalmente que o monoteísmo. Algo por demais pretensioso, reconheço. Por isto, desde já peço que depositeis vossa capacidade crítica para expor fragilidades lógicas, erros e demais problemas. Caso o leitor seja um monoteísta e tenha parado neste blog por um acaso, aí sim é que reforço o pedido: lembro que combatendo estes argumentos estareis fortalecendo vossa própria posição e para ser franco, forçando-me a defender a minha. Cabe ressaltar que tais argumentos visam basicamente três coisas: a) exercitar livremente a conjectura acerca das crenças religiosas politeístas, b) dialogar timidamente com a tradição e as posições monoteístas e c) apresentar algumas considerações que possam ser úteis a comunidade politeísta local. Posto isto, que fique claro a falta de atitude proselitista cá.

Iniciarei portanto, expondo os conceitos dos quais me utilizarei. Depois passarei a exposição de um argumento que chamo de “contra a noção abstrativista-racional” com o passar do tempo, espero ter mais tempo para postar outros argumentos [o tempo passou, formulou-se e tal, mas expomos muito pouco].

§1. Por monoteísmo, refiro-me a concepção de que há, de fato, uma e somente uma divindade criadora do que existe e ela própria incriada. Mais especificamente, que tal divindade única, é a postulada pelos Judeus, Cristãos e Muçulmanos conforme eles próprios acreditam que lhes foi revelado de acordo com seus respectivos profetas e livros sagrados [é necessário uma forte dose de caridade cá: estas três fés, que alegam crer no mesmo deus, não se entendem e dão demasiadas provas de que, possivelmente, não creem no mesmo deus].

§2. Por politeísmo, refiro-me a concepção de que há, vários deuses e que estes são responsáveis, em maior ou menor medida pelo que existe. Dentro do politeísmo distinguo 3 variantes, cuja nomenclatura apresento a seguir [divisão tosca: hoje em dia não vejo mais assim!]:

α) o politeísmo “correspondente”, quando concebe-se e enfatiza-se que há um e apenas um conjunto determinado de divindades, seja distribuído hierarquicamente ou não, que existe de fato sendo dado nomes diferentes por diversas culturas em diversos momentos históricos, mas referindo-se ao mesmo e um grupo de divindades. Esta é a concepção que identifico por trás da justificação das operações de interpretatio, tradução dos nomes do deuses com fins majoritariamente políticos [?] ou sincretização “forte” e sistemática. Esta me parece ser a posição de alguns intelectuais e líderes greco-romanos, por exemplo (que não refletiam diretamente a concepção popular) [erro: na verdade, arqueologicamente, faz mais sentido falar justamente o contrário: a grande maioria das evidências que temos de interpretatio vem, justamente, do “povão”!]

β) politeísmo “aspectual” [tosco!], quando se concebe que há um número de divindades indefinido no mundo mas que outras divindades – mesmo dentro de uma mesma cultura e concepções étnicas – são apenas aspectos deste grupo existente. Cabe ressaltar que nesta concepção, não se nega ontologicamente a divindade-aspecto enquanto “separada” para agir, mas antes afirma-se sua dependência ou referência ontológica última a divindade específica. Neste caso, o politeísta aspectual concebe vagamente que seus deuses existem enquanto diferentes, e talvez independentemente, dos deuses de outra etnia mas sem postular os limites teóricos claros. Esta posição no geral, me parece ser a de algumas tribos indígenas ou grupos ainda viventes que possibilita uma consciência de identidade religiosa mais étnica, pouca interpretatio e uma sincretização fraca e não-sistemática [sociologicamente, tais coisas se dão mais pela falta de contato cultural e religioso, que pela concepção acima toscamente elaborada!].

γ) politeísmo “forte”, quando se concebe que todos os deuses postulados pelas diversas culturas ao longo da historia humana, realmente existem enquanto entidades particulares no mundo e que suas relações são determinadas realmente pela maneira como as narrações étnicas tradicionais (mitos) as descrevem. Esta é a posição mais forte, na qual pode-se conceber coisas como “tudo está cheio de deuses”, conflitos entre divindades e mesmo entre panteões, forte consciência religiosa étnica (que as vezes, mas não muitas, pode favorecer algum tipo de puritanismo étnico), a condenação da interpretatio com um processo arbitrário quase-blasfemoso, etnocêntrico e desrespeitoso, etc. (muitas vezes nesta concepção uma divindade alheia é incorporada diretamente com seus ritos, sem que se sincretize a uma divindade preexistente no panteão), pouquíssimo nível de sincretização.

§3. Fora isto, temos mesclas entre as 3 ou coexistências pacíficas, de modo que em uma mesma comunidade, diversos grupos sociais podem sustentar tais posições; e modificadores, como os graus de henoteísmo, que podem desde realçar uma divindade como considerar que todas as divindades que existem são partes independentes de uma só divindade (que seria mais propriamente um “henoteísmo forte”). Obviamente que excluo propositalmente as concepções duoteístas (como a da Wicca) e relacionadas, assim como a estritamente panteísta [apesar de que não deveria]. Me refiro ao politeísmo. Assim como não referir-me-ei aos modelos de explicação teórica construídas para justificar cada concepção desta; coisa que nos faria examinar não só toda a literatura tradicional greco-romana (que é vastíssima) quanto a totalidade, ou amostra significantemente relevante dos escritos Neopagãos mais recentes. Isto sem contar os mitólogos, antropólogos e estudiosos em geral. Logo, tal distinção dentro do politeísmo é muito mais um ferramental “didático” plausível na medida em que for útil, do que uma categorização final.

I. Contra a noção abstrativista-racional.

Este é um dos argumentos mais utilizados, quando não pressupostos, pelos detratores do Politeísmo. O que farei é tentar apresentá-lo de um determinado modo, pois ele se encontra esparramado de diversas formas e ao longo de boa parte da tradição filosófica ocidental pós-cristã que se voltou à questão. Buscar uma formulação clara logicamente para tal argumento me é bastante difícil em vista da multiplicidade de hipóteses ad hoc construídas em torno dele. Tentemos pois, uma descrição satisfatória.

Tal visão deriva da concepção de que quanto mais próxima da unidade, matematicamente concebida, mais perfeita e racional uma coisa é. Neste sentido, o processo de formulação ou construção de um conceito, partindo de inúmeros exemplos concretos para uma unidade abstrata é o paralelo do processo mental do qual se concebe que o Monoteísmo seja um reflexo.

Assim, mesmo que não se diz crente em deus algum, vê o Monoteísmo como uma “evolução”, mais perfeita – por ser mais abstrato, conforme o paralelismo como o suposto esquema de construção de um conceito – que o Politeísmo, justamente tido como insatisfatório racionalmente. Posteriormente se vê tal visão como uma “derivação natural” do Politeísmo, por analogia ao suposto processo cognitivo da construção de um conceito (há quem o faça, racionalmente, diga-se de passagem, sem recorrer ao processo racional-abstrato de formulação do conceito; mas voltando-se à evolução/maturação de estados mentais de uma criança à fase adulta) [me referia a Come, o criador do Positivismo]. Tal visão eu denominarei de ‘Monoteísmo Evolucionista’. Para esta visão, o Monoteísmo é o que existe de mais perfeito e evoluído racionalmente, a ponta da evolução, geralmente iniciada, de acordo com o jargão retórico dos antropólogos evolucionistas do início do século XX, com concepções “animistas”, “totemistas”, etc. Muita gente influente formulou isto, de Sigmund Freud à Santo Agostinho [este último, não exatamente deste modo], passando por Hegel (para citar um que deixou isto claro, se é que há algo de “claro” em Hegel). [Um detalhe importante: dentro da visão modernista evolucionista, o coroamento evolutivo consiste no abandono do Monoteísmo e na adoção do Ateísmo, é o real sentido, em minha opinião, do “Deus está morto” de Nietzsche].

E no geral, o gérmen disto na literatura filosófica ocidental se reduz a uma passagem do De Melisso, Xenophane et Gorgia, atribuído a um peripatético aluno do Liceu de Aristóteles, na parte relativa a Xenófanes, o colofônio. Alguns estudiosos, que leem mal grego jônico antigo, veem em Xenófanes o primeiro monoteísta por suas críticas ao etnocentrismo e antropocentrismo do “politeísmo forte” da concepção popular grega e pela sua afirmação nos fragmentos 23 a 26, em especial no fragmento 23, preservados, propositalmente como lembra Alfredo Llanos (1967, p. 118), pelo apologista cristão Clemente. O texto grego é claro o suficiente: em NENHUM momento, Xenófanes nega absolutamente a existência de deuseS. Ele expressa sim, uma visão que pode ser adequadamente defendida como Politeísmo Henoteísta (talvez “forte”) ou um Panteísmo um tanto vagamente formulado; obviamente que me utilizo de um argumento filológico que tem se mostrado bastante seguro – e que aqui não é local para expor. Traduzi (sob a orientação do mestre Henrique G. Murachco) na minha monografia (que aliás, foi sobre 3 fragmentos deste filósofo) todos os fragmentos de Xenófanes e uma olhadela na bibliografia que consultei para tal, mostram a qualquer especialista que não falo levianamente. [Hoje, sequer considero que seja uma visão defensavelmente vista como “panteísta” ou “henoteísta” – um politeísta tradicional afirmaria o que Xenófanes afirmou sem muito problema].

Voltando a concepção do Monoteísmo Evolucionista, o que há de “errado” nela? Por que os cristãos e monoteístas em geral não podem sair por aí gritando felizes a superioridade intelectual de sua concepção? Primeiro motivo: o raciocínio evolucionista é uma petição de princípio; segundo motivo: é um “raciocínio” analógico, e como tal, por definição, carece de base lógica sólida [este ponto, hoje, creio ser irrelevante] e por terceiro: mesmo que não seja um raciocínio analógico, é um raciocínio indutivo inverificável e como tal não goza de nenhuma superioridade lógica aos demais raciocínios indutivos inverificáveis. Os olhares dos lógicos monoteístas (sim, há, podem acreditar, e não são poucos!) se arregalam e um sorriso sarcasticamente alimentando um certo ar de superioridade, nos diz: “como a concepção do Monoteísmo Evolucionista é uma petição de princípio?”

Primeiro, em Lógica se chama ‘petição de princípio’ (ou mais classicamente, petitio principii) um raciocínio falacioso no qual o sujeito pressupõe como dado justamente o que ele quer provar; em outras palavras: ele pressupõe implicitamente no raciocínio o que ele se propõe a demonstrar. Se extrai uma conclusão de um ponto de partida, sendo que é justamente a veracidade deste ponto de partida que a conclusão pretende provar. Muito simples, o que se quer demonstrar é pressuposto como verdadeiro no argumento, seja no que está implícito como “mais racional” (valorado moralmente) ou recorrendo aos textos sagrados, para “comprovar” justamente a credibilidade destes que é o que se pretende demonstrar. Obviamente que a saída mais adequada, como bem perceberam os teólogos mais sábios, é dizer que a credibilidade no livro sagrado é uma questão de fé. Não é uma questão lógica. No caso da concepção Monoteísta Evolucionista, o erro está na preconcepção de que o monoteísmo é uma ‘evolução’ e que tudo o que é ‘evolução’ é mais racional; isto é o que os argumentos pressupõem como “certos” quando é justamente isto que precisar ser demonstrado. O modelo teórico postulado para demonstrar a maior racionalidade da evolução, parte justamente do pressuposto que tal evolução é mais racional.

[Incrível a confusão aí: são dois argumentos distintos, não um. Primeiro: (a) em última instância, sabemos que monoteísmo é verdadeiro por haver sido revelado em um texto sagrado, (b) e o texto sagrado é verdadeiro por revelar que o monoteísmo é correto – ou por haver sido trazido por uma suposto emissário deste suposto deus “único” cuja existência é referido no tal texto. Este é, resumidamente, o problema da autoridade epistêmica da “revelação” exclusivista; problema este evitado quando não se adota o exclusivismo em torno da revelação. Segundo: (a) toda teoria religiosa posterior é mais “evoluída” por isto é mais correta, (b) o monoteísmo é posterior ao politeísmo, (c) logo, é “evoluído” e mais correto. A obviedade do quão problemático é a proposição (a) deste segundo argumento é gritante, além de ser uma espécie de divisor de águas entre uma mentalidade progressista e uma conservadora. Fora estes argumentos, há o argumento batido de que o Cristianismo em especial representa um “avanço” ou evolução moral em relação aos “Paganismos”, cruéis, belicistas e imorais. É importante frisar aos quatro Ventos que tal argumento não é criação cristã: os próprios romanos, e antes deles os Gregos, o utilizaram para condenar certas práticas de outros povos como “bárbaras” e cruéis. Este argumento merece um texto separado que escreveremos e postaremos cá].

E por que seria um “raciocínio” analógico? Simples, por basear-se por analogia, no caso da formulação que chamei de abstrativista-racional, em supostos processos cognitivos da formação de um conceito ou em um processo qualquer de uma abstração razoavelmente complexa. Para qualquer pessoa que conheça uma analogia, sabe que logicamente uma coisa não tem de haver com a outra. Não há uma causalidade que implique uma coisa na outra, nem uma necessidade lógica que ligue o processo A ao B. Mesmo que comprovemos cientificamente, e até supra-cientificamente com 100% de certeza que os processos mentais para formação de um conceito abstrato-racional são de modo x (verticalmente evolucionários, como descritos acima vagamente), disto não decorre que tal sentimento/concepção religiosa seja oriunda dos mesmos processos e disponha do mesmo grau de infalibilidade de um conceito abstrato-racional, como o conceito de equação de 2º grau [ficou meio nebuloso, resumindo: podemos questionar a analogia entre o processo de “evolução” de um conceito, epistemologicamente partindo do concreto para o abstrato, com a evolução de um conceito religioso por este, dada sua especificidade, digamos, “mística”, diferenciar-se a priori do primeiro, fazendo com que a analogia não seja boa].

Quem disse que abstrações-racionais são infalíveis? E mais, ser um conceito ou modelo abstrato-racional infalível não implica necessariamente em uma certa configuração ontológica que lhe seja referente, de modo que não pode ser um critério decisivo em religião. Ou seja, recorrer à analogia com processos cognitivos para demonstrar a maior racionalidade de uma concepção religiosa não demonstra sua ‘Verdade’ (com este V mesmo) [no entanto, alguém retrucaria, demonstraria a maior racionalidade – e isto bastaria! Bem, acontece que tal analogia, antes de ser usada pelo Cristianismo em especial, já está, de certa forma, presente em certo entendimento Neoplatônico de modo que poderíamos advogar que o Politeísmo é perfeitamente concebível racionalmente, tanto quanto o monoteísmo mais filosófico, que é o Cristianismo. E mesmo que fosse, na maior das rebuscadas discursivas possíveis, isto só nos colocaria que uma concepção do time “henoteísta” – um “Monoteísmo Pagão” – seria mais adequado, e não o exclusivismo supersticioso monolátrico do deserto semita. Enfim, novamente, estes outros argumentos merecem um texto a parte].

E por que, mesmo que não consideremos um “raciocínio” analógico, é um raciocínio indutivo inverificável? Pelo motivo simples de ser Monoteísmo Evolucionista um modelo explicativo construído com base na suposta verificação de um caso particular, e abrangido indutivamente para explicação de todos os casos existentes. Ok, há quem tente validar logicamente (através de lógicas heterodoxas bem interessantes) o processo de indução. No entanto, mesmo que aceitemos isto, o problema é que a suposta “verificação” é justamente isto uma SUPOSIÇÃO. Não há como verificar se realmente o processo evolutivo postulado pela teoria aconteceu de acordo com leis lógico-matemáticas infalíveis. E por que não ocorreu noutros lugares onde o Politeísmo persiste (como a Índia, por exemplo)? Ou por que não ocorreu em zonas onde o poder político confessional não interferiu (como no mundo greco-romano mesmo, que foi cristianizado pela retórica barata, armas e imposição política). A ideia do Monoteísmo surgir na mente de um ser humano como um processo natural e racionalmente previsível [e portanto, universalizante e universalizável] de acordo com leis lógicas infalíveis e constantes não passa de um truque argumentativo.

De modo que nestes três âmbitos (e noutros mais, confesso, que estão na manga) não me parece defensável a concepção de que o Monoteísmo é mais racional e preferível por ser oriundo de uma evolução cognitiva ou algo assim que o Politeísmo.

[Como colocado já, há muitos outros pontos a serem desenvolvidos. Além de uma crítica interna, puramente filosófica, ao Monoteísmo Exclusivista – abraâmico – e ao Monoteísmo como um todo; há a questão externa, cultural e histórica que também oferecerá inúmeros subsídios.]

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