Por uma cultura armada

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Precisamos, urgentemente, resgatar e revitalizar nossa cultura de armas. Talvez esta afirmação soe um tanto belicista para certos tipos, mas vou explicar.

Primeiro, tradicionalmente e coerentemente, nós (Indo-Europeus) somos os “inventores” de uma cultura de armas religiosamente sancionada, e não os abraâmicos de qualquer tipo: temos deuses da Guerra e talvez, mais relevantemente ainda, temos uma farta mitologia que louva divindades forjadoras de armas especiais e “tecnológicas”. Não que outros povos e grupos culturais não tenham traçado relações especiais com armas e certas divindades (seja entre os povos da Oceania, das Américas, Ásia ou África) e nisto o termo “inventores” que usei acima, seja simplesmente inadequado. Mas por favor, peço que considereis a aplicação deste termo no espaço espiritual Ocidental. Interessa cá chamar atenção para o mais gritante: nossa própria tradição mítica! Do passado longínquo aos vestígios das histórias folclóricas de cavaleiros e caçadores.

Segundo, mais do que os abraâmicos de qualquer tipo, nós temos mais “ferramental conceitual” para encarar de modo sério tais instrumentos como sendo passíveis de interação, digamos, “mágica” ou numinosa. E todos os que gostam de pensar em artefatos mágicos e utensílios litúrgicos de toda espécie precisam parar a leitura e refletir sobre isto antes de prosseguir. É algo simples e natural, é algo óbvio. Para os que seguem a senda dos Guerreiros, uma interação religiosa e mesmo uma “fusão” com tais instrumentos é parte de sua ascese e treinamento desde sempre. Resgatar a clareza disto, é crucial. Para os que não seguem tal caminho, mas que, invariavelmente poderão considerar a posse de tais instrumentos para sua defesa pessoal em circunstâncias de alta criminalidade e insegurança social como é o caso do Brasil, também perceberão que certa “afinidade” e relação com tal objeto “inanimado” surgirá naturalmente e que cultivar isto não é algo a ser desconsiderado.

Terceiro, precisamos nos livrar de todo tipo de preconceito e resistência moral que, até onde vejo, herdamos por cripto-cristianismo ou por um pacifismo muito pouco claro, por associarmos certa cultura armamentista como belicismo exagerado ou beligerância pura e simples. Por mais que seja claro que nossos Ancestrais, mesmo os mais “civilizados” (Romanos e Gregos) eram, para os padrões atuais, digamos, beligerantes, é uma disposição geral que numa sociedade ultra-moderna como a que vivemos, isto é uma espécie de primitivismo retrógrado, quando não encarado como uma espécie de patologia sociopata: dado os contra exemplos de loucos de todo tipo que cometem crimes como tiroteios em massa (mass shootings), etc. Além de que, de modo “automático”, nos é apresentado que gente intelectual, sábia e respeitada é anti-armas e pacifista, de modo que se reforça uma vinculação de que armas = beligerância/ódio = retrocesso, ao contrário de não-armas = pacifismo/amor = evolução. E uma vez que todos são instigados a serem “evoluídos” e a amarem uns aos outros, se segue que devem desgostar de armas. Que isto faça sentido em uma postura cristã, ótimo. E mesmo numa postura cripto-cristã ou para-budista New Age. Além de que há toda superstição romântica de pacifismo e “elevação espiritual” que age como força de exclusão dos não-alinhados, assim como de patrulhamento ideológico em certos círculos. Antes que alguém diga, me antecipo: não se trata de certos caminhos estarem infestados de “Esquerdismo” político travestido de Espiritualidade (não nego que isto possa existir), mas de uma crença (supersticiosa) alimentada com as melhores intenções por lideranças medrosas ou ignorantes que precisa ser denunciada ou trazida a cima. Mas para nós, esta implicação de força moral não é tão clara. Nossos deuses guerreiam e não possuímos a obrigação moral de “dar a outra face”.

Quarto, o desenvolvimento e cultivo desta “ars” é, por si só, algo prometeicamente digno em si (caso se tenha uma abordagem humanista), como divino e mágico (caso se tenha uma abordagem tradicional). É um domínio humano, estritamente: o verdadeiro Domínio do Fogo é a disciplina do Aço. É nossa herança de um saber misterioso, de uma Arte Divina (concepção tradicional) e nossa ousadia prodigiosa (visão humanista). Nossa estética está impressa na Eternidade nas armas mais variadas e belas, nas mais altas aspirações e feitos heroicos.

Quinto, não precisa ser um “Reconstrucionista” do tipo mais ferrenho para se beneficiar diretamente de uma revitalização de nossa cultura de armas. Qualquer um de nossa comunidade religiosa mais ampla se beneficiará. Na verdade, nem é preciso “gostar” de armas para tal. Uma comunidade religiosa que cultive uma rigorosamente séria cultura aristocrática de armas é uma comunidade sadia e mais segura. Andará livre, de cabeça erguida ao invés de rastejar medrosa ante a sombra da Intolerância Religiosa, escravizando-se cega pelos políticos e Ideologias que se alimentam do vitimismo dos oprimidos. Por isto, mesmo sem ser o tipo armamentista, dever-se-ia estimular e valorizar tal tipo em nosso meio. Em especial, em nossa comunidade orgânica, real. Em última instância, o nosso socorro mais certo será de nós mesmos: é um erro confiar nossa existência e liberdade noutros. Não esqueçamos a terrível lição que nossos ancestrais Lusitanos aprenderam do desarmamento romano do perverso Galba: já bem assentada na mente de nosso herói maior, eterno líder e bem aventurado Viriato em seus comentários lendários na cerimônia de seu casamento dirigidos ao sogro Astolpas (Diodoro Sículo, 33:7), nos dando a entender que é nas armas, e não na opulência dos banquetes, que reside nossa liberdade e poder.

Sexto, valorizar as armas significa, hoje, também valorizar as armas de fogo. Precisamos acabar com a besteirol e preconceito com armas de fogo, assim como acabar com o romantismo exagerado com as armas brancas: espadas e arco e flecha. Hoje, tais armas, representam uma forma “controlada”, “bonitinha” quase “castrada”, basta ver os tipos que cegamente repelem e afastam histéricos armas de fogo (ou qualquer coisa que as lembre) e que babam ante qualquer lâmina sem fio de encenações RPGísticas: geralmente, são o tipo de gente “fresca” (não raro, “vegana”) de classe média que nunca viu ou presenciou um confronto com lâminas no mundo real, não presenciaram o quão letal e brutal um combate com lâminas pode ser (mais até, que com armas de fogo – cujos projéteis, em boa parte das situações nos calibres mais utilizados para defesa pessoal, permitem mortes mais “limpas”, sem que haja excessiva desfiguração do então cadáver). Lâminas são mais brutais (em termos de laceração e carnificina) que armas de fogo. Armas de fogo são atualizações tecnológicas do arco e flecha, num certo sentido – que haja puristas do “antigo” – sim, devem haver sim – mas que entendam que o “novo” da arma de fogo é o resultado deste “antigo”. O culto a lâminas, justamente, é mais forte em culturas onde o contato físico e o aspecto brutal (em termos de laceração e sangue) do combate são enfatizados: justamente, os sujeitos mais “beligerantes” e “sanguinários” deveriam ser os cultores do combate com lâminas, não o povinho engomadinho que tem nojo e medo de sangue! Isto só mostra que, uma suposta fascinação com lâminas por parte de certos “LARPPagãos”, chamemo-los assim, nada mais é do que um eco que apesar de derivar de uma fonte genuína foi castrado, infértil e tornado dócil e inofensivo. As lâminas devem gozar de uma proeminência atávica, tradicional em nossa cultura (inclusive em seu uso ritual), mas isto não quer dizer que devamos afugentar ou desconsiderar as armas de fogo de nossa época. Se imaginarmos trazer um antigo legionário romano, ou um guerreiro celtibérico, gaulês ou germânico e o mostrássemos as armas de fogo modernas, duvido que não a louvasse e entusiasticamente a desejasse. Inclusive, esteticamente, uma arma de fogo pode receber o mesmo trato estético belo e divino possível de ser cravado numa lâmina.

Sétimo, a eventual pauta política de certas correntes que por ventura favoreça ou concorde com esta visão é algo contingente: não altera nossa posição, direito e herança genuína. Desgostar do tema e militar contra por mero desafeto político contingente é ter sido “enfeitiçado”, muito provavelmente, por correntes políticas opostas. Ou seja, é não partir de uma posição religiosa, mas sim de uma superstição ideológica moderna. Nossas religiões podem até oferecer certa base para um “pacifismo anti-armas” especialmente no caminho do sacerdote (sob uma ótica, pitagórica, talvez – apesar de Arquitas de Tarento ter sido pitagórico!) em circunstâncias bem atípicas (na verdade, pessoalmente, não me recordo deste tipo de postura em nenhuma sociedade Ocidental Indo-Européia), mas no geral, mas nestas, a atitude coerente mais geral será de uma lógica da conjunção, não da disjunção exclusiva, de forma que mesmo um sacerdote anti-armas pacifista, reconhecerá a necessidade do guerreiro e das armas destes (mais ou menos, como o caso de certos gurus na Índia) – e não concordar em “forçar” todo mundo a se desarmar, não traçar uma relação religiosamente embasada com as armas, etc. Numa espécie de delírio totalitário do pior tipo: o tipo antinatural (e antitradicional) e ímpio (uma vez que a ordem do Mundo é sagrada, e esta ordem refletida nas sociedades humanas é hierárquica/estamental ou ao menos trifuncional).

Oitavo, tal revitalização não é, a princípio, uma pura afirmação “sexista” do que quer que seja. Se homens, tradicional e historicamente, estiveram e nutriram (enquanto “protagonistas”, digamos) uma cultura de armas, isto por serem, na maioria esmagadora das sociedades Indo-Européias (em todas que conheço, na verdade), os que incidiam no ofício de Marte. Na verdade, diferentemente das religiões abraâmicas, nós miramos paradeigmata femininos armados: cultuamos deusas armadas cuja beleza e poder excepcional, mitologicamente, desafiam (e por vezes, até ganham!) outros deuses. Se há em nosso imaginário coletivo, um semblante da mulher armada, este vem do mundo Indo-Europeu, não do deserto semita. Sem contar que, especialmente entre os Celtas e os Germânicos, apesar de que mais entre os primeiros, os exemplos históricos das mulheres armadas e de uma cultura de real poder feminino (que pressupõe, justamente, armas!) são dignas de nota. Além disto, mas ainda no tema, há a desculpa esfarrapada de intelectuais emasculados (mas depravados) do mundo contemporâneo que, maliciosamente apostando na aprovação de seus pares em espírito, projetam no cultivo da cultura de armas uma suposta desculpa de homens de pênis pequeno para afirmarem sexualmente sua masculinidade. Quando na verdade, estes usam tal subterfúgio para esconder, sob o viés do “desdém”, a própria falta de fibra, “Vontade de Poder” e virilidade espiritual (ou a falta de “hombridade” no controle de si, como foi o caso de um certo terapeuta judaico escravizado/viciado em ópio). Como se Marte ou Thor, ou Reus ou Júpiter, fossem “menos” viris ou tivessem “pinto pequeno”, por portarem e brandirem armas! Desdenhar das armas por este motivo torpe, invencionice de ontem, é imprudente e superficial: ignora a sabedoria ancestral acumulada e os mitos dos Deuses.

Novo e último, eis mais uma oportunidade de nos fazermos presentes e enriquecermos nossas comunidades e mesmo a comunidade mais ampla. Atividade esportiva diversa, inclusive para reincorporarmos em certos ritos sazonais ou de passagem (tanto em provas de habilidade quanto em competições corpo-a-corpo/time-a-time: pistas de tiro, tiro ao alvo, duelos com armamento não-letal, etc. partidas de airsoft ou paintball são atualização de batalhas campais recreativas!), cultivo da responsabilidade, valorização e a brotação de talentos artesãos seja na cutelaria, customização de armas e acessórios, etc. Nossa bela e transcendente arte uma vez mais abrilhantará. Só assim levaremos à sério e daremos um passo para fora do “LARP-Viking-ismo-fofinho” de mercado.

Bem, para finalizar, gostaria de registrar de forma muito clara que não estou advogando cá o uso irresponsável e ilegal de armas de fogo, ou de qualquer arma. Nem estou defendendo que sejamos todos “sanguinários-carniceiros-beligerantes-assassinos-cruéis” ou algo do tipo. Ao contrário, justamente, por saber da responsabilidade e seriedade incontornáveis que envolvem o tema que chamo a reflexão para que tomemos para nós nosso caminho nesta questão também.

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