Tradução: Alain de Benoist – Nem ódio de raça, nem ódio de classe

Tradução de Marcílio Diniz da Silva do texto “Ni haine de race, ni haine de classe“, presente no Les Idées à l’endroit. Paris: Éditions Libres-Hallier, 1979. Páginas 157-158. Os termos em itálico que não estiverem em língua estrangeira foram preservados por consistirem em ênfases dadas pelo autor no próprio texto original.

Alain de Benoist lors d'un discours à un colloque du G.R.E.C.E (Groupement de Recherche et d'Etudes pour la Civilisation Européenne) le 29 novembre 1981 à Paris, France. (Photo by Jérôme CHATIN/Gamma-Rapho via Getty Images)

Um certo número de vozes tem se levantado recentemente para denunciar “todas as formas de racismo” e para relembrar os erros. Tais apelos são realmente necessários. O que é o racismo? Essencialmente, uma recusa do Outro. Uma espécie de “reflexo” alterofóbico que reflete uma incapacidade de admitir o Outro como diferente de si. Assim, em corolário, se segue a ideia de que aqueles que diferem de nós devem ser suprimidos ou modificados, isto é, aculturados, alienados, convertidos ao que somos. Existem muitas formas de racismo que vão da estupidez xenófoba ao genocídio e ao etnocídio. Pode-se procurar suprimir o Outro tentando exterminá-lo: fuzilamentos em massa e campos de concentração. Também se pode fazer desaparecerem pela desapropriação de sua especificidade. É o que está acontecendo no Laos, onde os vietnamitas se comprometeram a eliminar o grupo étnico laosiano, incentivando sistematicamente os casamentos mistos. O resultado é sempre o mesmo: supressão de identidades coletivas, diminuição da diversidade de culturas, redução a um tipo ou modelo único.

A mentalidade alterofóbica é baseada em uma espécie de monoteísmo social ou político; uma vez que se adere à ideia de uma verdade única, é grande a tentação (pode até ser percebida como um dever) de buscar reduzir a diversidade humana a um modelo único, arbitrariamente considerado como o “melhor”. A luta contra o racismo exige, portanto, juntamente com uma luta rigorosa contra o preconceito, uma crítica não menos firme de todas as formas de universalismo. A tolerância nessa área é fundamentalmente “politeísta”.

A legislação antirracista ganharia se também pudesse ser estendida a outras formas de negação do Outro. Poderia, por exemplo, sancionar as doutrinas que recusam o Outro sob a forma da “classe”, como se recusam sob a forma da “raça”. O incitamento ao ódio de classe não é menos repreensível do que o incitamento ao ódio racial. Julgar a atitude a ser adotada em relação a alguém, de acordo com sua condição de membro de uma classe ou de pertencimento a uma raça, é uma só coisa. E como Alain Besançon observou, “o desejo de destruir uma pseudo-raça não é nem mais nobre nem mais infame do que o desejo de destruir uma pseudo-classe” (Contrepoint, fevereiro de 1976). Seria correto, portanto, proibir tanto as obras que exaltam o Racismo quanto aquelas que reivindicam o princípio da Luta de Classes. Sem mencionar, é claro, condenar aqueles que, ocasionalmente, cometem tanto um quanto outro pecado contra o espírito. Começando com este burguês revolucionário que escreveu no século passado: “Qual é o culto profano do Judeu? O tráfico. Qual é o seu Deus profano? O dinheiro… Dinheiro é o deus ciumento de Israel, diante do qual nenhum outro deus tem o direito de subsistir” (Karl Marx, A questão judaica, 1843).

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