Um primeiro passo ao Iberoceltismo

Vaso de Arcobriga

Num certo sentido, estamos num processo de preparação do terreno, mas desde cima, e por isto, a prática mesmo da religião, para alguns, será uma necessidade antecedida pelo reto interesse, estudo e leitura persistente desde uns meses ou mesmo anos. Há um chamado atávico, da alma, que será ouvido por alguns mas que pelo mistério próprio só pode aqui ser referido, mas nunca explicado. Olhando para a situação atual, um primeiro passo pode ser dado à distância, desta virtualidade, por vezes, incipiente: a situação específica destes tempos e para isto resolvo reunir cá diretrizes rápidas que creio que serão úteis aos que desejam dar o primeiro passo na prática. Mas não se deve, perder o horizonte comunitário e antes ainda, o do foco prioritário do Lar e da família. É bom deixar claro que muito mais poderia ser dito, ou mesmo que as diretivas abaixo são amplas a ponto de também alcançarem outros “rótulos”, que seja! Vamos ao que interessa:

Uma religião é um modo de vida, uma conversão ou iniciação que não engendra uma mudança de “costumes” se assemelha a uma bainha ornamentada mas sem a espada: será um adereço vazio. Reorganiza-te para a consideração de uma refeição como a principal do dia (aqui, consideramos o almoço), observando-a religiosamente (uma prece antes da refeição, à mesa, como índice de formalização desta observância, cai bem). Preferencie alimentos locais, orgânicos e tenha em mente que o consumo de carne eticamente adequada, idealisticamente, seria oriunda de sacrifício de um animal criado de uma maneira decente. Prefira carne de abatedouros locais (onde possas inspecionar e conhecer a “fonte”, animal e criador, sempre que possível) ou de indústrias que observam aspectos mínimos de bem estar animal. Ações, mais do que palavras ou intenções, busca realizar e lembra-te que as ações e fama nos transcendem, ressoam nos nossos (vivos ou mortos) e não devem ser levianamente consideradas. Não sejamos fonte de vergonha e desonra para os nossos.

Ora aos Deuses, se possível ao pôr do sol e pela manhã (frente ao nascente) ao levantar, diariamente; ou pelo menos em um destes momentos sem falta, todo dia. Aprenda os gestos tradicionais de oração, saudação e oferta. Observa a direção propícia (no hemisfério sul é o contrário do hemisfério norte) em tudo o mais.

Busca acostumar-te a considerar o dia começando na noite da véspera, observa o calendário religioso (lunissolar) e as 8 festividades principais (mesmo que tenhas de celebrá-los de uma maneira não propriamente iberocelta); estando à frente da família, é teu dever observar, instruir-te e instruí-los nos ritos domésticos lunares. Considera tuas viagens, atividades de trabalho, lucro, limpezas, etc. observando os ciclos sagrados dos meses (lunissolares) e do ano. Sê rigoroso com a observância das festividades: sem desculpas nem frouxidão, sê zeloso e diligente.

Se possível, reserva a quinta-feira (a começar pela noite da quarta) e o domingo como dias de descanso. Se teu trabalho não te permitir folgar na quinta-feira, considera a noite da quarta-feira como noite de descanso, evitando trabalho e negócios. Reserva nestas datas, um horário para estudar religião, mitos, filosofia, instruir-te nas artes dos sábios ou trabalhar em algo em prol de tua casa, ou comunidade religiosa (trabalho em tais casos, só se for para os deuses ou em sua honra!).

Reserva um momento para o exercício físico e para o cultivo de alguma habilidade manual, mesmo que tua natureza seja preponderantemente “sacerdotal/contemplativa”. Nossos antepassados iberoceltas tinham hábitos de certo “estoicismo” e austeridade, e não à toa foram comparados aos lacônios. Nutramos reservas quanto ao luxo demasiado e ao conforto fácil, não para que sejamos masoquistas, mas para não nos “afrouxarmos” e docilizarmo-nos de todo. Aprenda a rever tua profissão como extensão de tua natureza, harmoniza-te contigo, corrige desvios e uma vez acertado, trilha firme tua senda. Procura o auxílio dos deuses que velam pelo teu ofício, alinha-te internamente e o exterior logo manifestará.

Observa os ciclos das árvores, das plantas, as estações do ano. Se possível, anota o que julgar necessário; habitua-te, se possível, às posições do sol e das estrelas e busca estar mais ao ar livre. Organiza-te para dar passeios regulares em lugares naturais, busca conhecer tua cidade, sua topografia e belezas naturais, histórias e causos. Enraíza-te! Procura e busca te instruir sobre teus ancestrais, de onde vieram, quem eram, se possível mesmo (e caso aches necessário) faças um teste de ancestralidade genética. Busca desenvolver um venerável respeito pelos que te antecederam, aceita-os, resolva-te como puder e siga em frente tendo a proteção e boa herança dos teus antepassados.

E por último, mas de modo algum menos importante: uma vez mais, busca ações virtuosas, abstém-te do mal, sê corajoso e honra os Deuses Imortais. Uma mente organizada e sã comandará, naturalmente, um corpo são e disposto mesmo nestes tempos de confusão e ruído dissolvente.

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